Romance
Eu sou o que você vê.
Quando ninguém mais consegue encontrar o próprio rosto, a imagem de cada pessoa passa a depender do olhar dos outros.

O que sobra de nós quando não podemos mais nos ver?
Imagine acordar e descobrir que seu rosto não existe mais no espelho. O quarto continua refletido, a luz da rua continua entrando pela janela, as câmeras e as telas continuam funcionando. Só as pessoas deixaram de aparecer.
Eva precisa viver nesse mundo. No início, ela quer apenas saber como está sua aparência. Mas, sem um espelho ou uma fotografia para conferir o próprio rosto, começa a depender das palavras e dos olhos de quem está ao redor. Um elogio pode tranquilizá-la. Um comentário aparentemente simples pode acompanhá-la por dias.
Então surge a possibilidade de ser retratada por outra pessoa. Um desenho poderia devolver a Eva aquilo que nenhuma superfície consegue mais mostrar. Mas um retrato não é um espelho: entre ela e sua imagem existe outra percepção, outra escolha sobre o que merece aparecer e o que pode ficar de fora.
Ao receber sua imagem de volta, Eva já não sabe se está finalmente vendo a si mesma ou apenas descobrindo como alguém a enxerga.
Eu sou o que você vê acompanha uma busca que começa com o desaparecimento da imagem e chega a uma pergunta mais inquietante: quanto daquilo que acreditamos ser nasce realmente de nós, e quanto aprendemos a reconhecer porque foi devolvido pelo olhar dos outros?